domingo, 12 de julho de 2009

Que sensação é essa?

O carro estava no limite de velocidade e o vento esvoaçava meu cabelo enquanto eu cortava a rodovia ao som dos Beatles. Meus pensamentos se misturavam aos meus batimentos; sentia-me aproximar a cada momento do meu destino, seu sorriso. Já sentia suas mãos ao meu redor e a confirmação dos meus maiores desejos silenciados; te ter mais uma vez.

O arrepio subia por meu corpo a cada metro percorrido e eu já podia sentir sua respiração na minha. As placas indicavam a proximidade, e pela primeira vez sentir minhas mãos suarem frio. Sua voz me veio a mente, e eu ainda tentava entender porque não me respondia a dias. O medo tomou conta de mim, e me senti tentada ao ver a indicação do retorno a menos de 50 metros. Decidi seguir em frente e entrei por uma rua conhecida.

Ao estacionar, tirei meu RayBan e elevei-os até minha cabeça, confirmando ao ver uma fachada conhecida. Eu estava a um toque de distancia, e já sentia tudo novamente. Meus olhos se encheram facilmente ao me lembrar de cada coisa que passei, de todas as cobranças externas, do sofrimento calado, de ter que deixá-lo partir. Era doloroso não ser compreendida, e ter que deixar o mais precioso sentimento de lado, em troca de uma dor eterna. Já me sentia quebrada o suficiente, mas eu precisa, tinha que voltar, voltar a ser aquilo que sempre fui, dele.

Andei até a porta, sentindo dilatar sobre minhas mãos a ansiedade de um olhar dele, apenas isso. Toquei a campainha, esperando o que me pareceram ser anos, até ouvir o rangido da madeira e uma visão que fez meu coração despedaçar por imediato. Ele estava lá, com um olhar confuso, carregando como troféu alguém que me chamava de amiga.

Senti abalar, e descer amargamente cada uma delas, aquelas que eu havia segurado em momentos de pseudo-força, aquelas que meu havia me obrigado não demonstrar, apenas para entender o motivo da minha força. Mas ela não existia, não hoje, ela estava no fim. Mesmo que eu tentasse, tudo havia sido tomando, e nada, NADA que eu fizesse mudaria a dor que cortava meu ar.

O sentimento crescia sobre meu peito, enquanto cortava silenciosamente os sinais de dor. Não queria falar, já havia falado demais, em todas as tentativas de comunicação, em pedidos de atenção e vestígios de saudades. Mas agora entendia o silêncio, e ele era mais sonoro que mil palavras. Sabia que ali era o fim, o verdadeiro fim, mesmo que só tenha entendido isso da maneira mais difícil, a mais cruel.

Apenas me virei, voltando para meu veículo estacionado, carregando sozinha todas minhas dores, mais uma vez.

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